domingo, 2 de dezembro de 2012

Com licença, Amigos!

Com licença, amigos! Será que posso entrar?
Eu sou a Criança.
A mesma Criança indefesa e frágil que já pediu acolhida e proteção no seio de Maria.
Hoje, de novo a vocês me apresento sempre da mesma forma, sempre como Criança, para que ninguém venha a ter medo de mim, para que ninguém venha me confundir com um assaltante ou com um cobrador de impostos.
Para falar a verdade, eu nem saberia de que outra forma mais amigável me apresentar. Mesmo porque sei que vocês adoram as crianças. Elas são a "alegria do lar", é como vocês dizem.
No entanto, eu me lembro que uma noite, muito remota no tempo, alguns entre vocês me bateram a porta na cara, dizendo que para mim não havia lugar em casa de gente.
Nem é possível lhes dizer quanto fiquei triste.
Eu estava chegando de uma viagem tão comprida, e tinha no coração tanto amor pelos homens... Mas confesso que naquela noite este amor se sentiu traído.
Hoje, eu sei, não é mais assim. A gente é tão civilizada e a maioria aprendeu as boas maneiras... Tenho certeza que desta vez não precisarei me refugiar dentro de uma gruta.
Então, com licença, amigos! Se vocês permitirem, vou entrar.
Mas se por acaso lhes parecer que estou perturbado, não há problema, eu vou- me embora.
Quer dizer que não vai faltar ocasião para a gente se encontrar de novo.
Não se preocupem, eu voltarei. Eu sempre volto.
Acho que vale a pena voltar, mesmo correndo o risco de ser crucificado outra vez.
Sim, meus amigos, mesmo arriscando a vida, eu voltarei. Vocês sabem, só quem não ama não volta mais...
Uma coisa, porém, tem que ficar bem clara: se vocês não me convidarem, eu nunca entrarei em suas casas. Não quero arrombar portas, prefiro que elas se abram por dentro.
E onde eu encontraria a força para arrombar suas portas?
Sopu apenas uma CRIANÇA...


(Retirado do livro "O meu Cristo de cada dia"   Pe Virgílio, ssp)

"Veio para o que era seu, e os seus não o receberam"    (Jo 1,11).

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